quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Capítulo 1

Primeiro dia de aula na nova escola, preparados para a ladainha de sempre? “Pra que preciso estudar? Odeio escola, por que ainda existe esse tipo de tortura? E blá, blá, blá”. Bem, a realidade é um pouco diferente, não se enganem, pois não sou uma viciada em estudar, mas é que, ao menos na escola, ninguém sabe quem realmente sou, por pelo menos seis horas posso fugir da minha vida, fingir ser uma garota diferente, uma que não tem problemas, ao menos lá, posso ser quem realmente quero. Eles podem sim, e a maioria, com certeza, irá me julgar, como fazem com todos, mas ser julgada por estranhos, pelo menos, é bem menos doloroso do que a mesma coisa ser feita pela sua própria família.

 - Érica, desça logo antes que se atrase! - Amanda grita da cozinha.

 - Me deixa!

 - Se não descer agora vai se atrasar e se se atrasar não vai dar tempo de tomar café da manhã! – caramba, ela me conhecia mesmo, usou a única tática que eu não poderia recusar, comida.

 - Já estou indo! - corro para meu guarda-roupas e pego o horrível e transparente uniforme da nova escola, combinando com uma calça de imitação de couro, sempre é bom causar uma impressão no primeiro dia. Mesmo que seja ruim, como assim será numa escola conservadora como aquela.

 - Tá esfriando!

Passei alguma maquiagem e penteie a franja, o resto estava bom, volumoso, do jeito que gosto. Desço as escadas e encontro na minha frente, para minha total felicidade, uma maçã e um bolinho de morango. Delícia. 

 - Sabia que você ia gostar.

 - Por que está sendo tão legal?

 - Você é minha irmã, preciso mesmo de um motivo? - levanto as sobrancelhas pra ela – Tá, Gabriel vai vir jantar aqui hoje e se você pudesse não brigar com ele pelo menos dessa vez...

 - Me hibernar no quarto serve?

 - Eu queria um jantar de família, mas sim, serve.

Pego meus lanchinhos e me dirijo para a porta de casa, para ir a escola. De apé. Essa vida sem meus pais está acabando com meu sedentarismo. Droga.

Paro em frente a coisa cor de barro, o lugar em que eu deveria estudar, os adolescentes que entram lá não são nem de perto o que achei que fossem e, totalmente retiro o que disse, nada de conservadora para isto aqui.

Vou a secretaria e preencho os papéis, fiquei no segundo D, a secretária me fala que como a maioria dos horários ainda não está pronta, terei de esperar assim como todo mundo para pegá-los. Ela me explica onde é e sigo pela mesma direção. Era no segundo andar, a penúltima sala à esquerda. Será que todo mundo é a favor das caminhadas nesta cidade?

Sigo para dentro da sala e mesmo com o sinal já tendo tocado, ainda faltava mais da metade dos alunos. 

Não perco tempo e me sento na penúltima da fileira da parede, já que a última já estava sendo ocupada. 

Atrás de mim, uma garota com longos cabelos ruivos de farmácia estava sentada. Seus olhos enormes, iguais aos meus. Percebeu que eu a estava encarando.

 - Érica.

 - Thabata.

 - Sou nova aqui.

 - Eu sei. A maioria das crianças daqui, me inclua nisso, passou a vida inteira estudando juntos. Cidade pequena, nada a fazer.

 - Cidade pequena tem alguma diversão?

 - Adivinha?

Bufei.

 - Pelo menos tem algum lugar com comida boa?

 - Isso é o que não falta. Tem tanta variedade, é só saber por onde andar.

Olhei-a com os olhos brilhando.

 - Eu te levo pra um tour um dia desses, agora dá pra parar de fazer essa cara?

 - Por que eu fico fofinha demais com ela?

 - Justamente ao contrário, você fica com a cara parecida com a daquela menina – apontou para a garota que acabava de entrar pela porta. Estava frio e a tocha humana só estava com um micro shorts e plataforma.

 - Idiota – fiz cara de ofendida e ela começou a rir mais ainda. Não consegui aguentar e me juntei a ela, comecei a rir também, mas parei assim que meu olhar foi para a porta novamente. Ao invés da tocha humana, estava parado um garoto totalmente ao contrário. Sua pele brilhava pálida, como neve, olhos mais grandes que os meus e os de Thabata viajavam pela sala, parando em mim no final, eram azuis, inteiro azuis, sem espaço para a pupila nem nada. Desci meus olhos até seus lábios, também azuis, congelados, com pedrinhas de gelo o cobrindo. E seus cabelos... Até sua cintura uma cortina preta caia em ondas bem cuidadas e lisas. Era lindo, estranhamente e perturbadoramente lindo.

 - Está encarando meu inimigo?! Como tem a coragem? - Thabata fingi raiva ao passar o olhar entre nós dois.

 - Inimigo? Como isso?

 - Coisas de família, mas ele é bom amigo.

 - Aminigo?

 - Por aí. Digamos que minha família é um tanto histórica e maluca e que não gosta muito de Kash, então lá fora eu finjo que o odeio e tal, mas aqui ele é um dos meus melhores e únicos amigos.

 - Ainda pensava que meus pais eram complicados...

 - Falando disso, de onde você era?

 - São Paulo.

 - E por quê veio pra cá?

 - Isso já é meio complicado também, mas digamos apenas que eu era, ainda continuo, meio problemática e minha irmã teve a incrível ideia de que seria maravilhoso para mim tomar um pouco de ar puro em alguma cidade do interior. Mas olha que coincidência estranha? Aqui é justamente onde o namorado mauricinho dela mora.

 - Nossa...

 - Pra que esse “Nossa”? - diz o garoto gelo na carteira a minha frente, nem havia visto ele chegar. Olhando mais atentamente percebo que o encanto de minha loucura já passara, era um garoto normal novamente, cabelo curto, mas bagunçado, olhos azuis normais, apesar de ter uma tonalidade ainda mais clara que os meus e boca rosada como a de qualquer um.

 - Érica este é Kash. Kash, Érica.

 - Hey – me cumprimenta, me dando um meio sorriso.

 - Hey – falo de volta.

 - O “Nossa” foi para a irmã maligna da Érica aqui.

 - Por que?

 - Ela não é tão ruim assim.

 - Mesmo?

 - Claro, ela só a fez mudar de cidade para ficar perto do namoradinho.

 - É, mas olha o que ela me deu hoje antes de eu vir pra cá – abro minha mochila e tiro de lá a comida dos Deuses.

 - Bolinho! - grita Kash.

 - De morango! - continua Thabata.

 - Agora ela passou para uma atitude melhor em seus pensamentos?

 - Pior ainda, ela é maléfica, aposto que usou isso para conseguir alguma coisa... Gostei dela.

Dei risada.

 - Por que será que eu só consigo amigos que me tragam má influência? - perguntei fingindo inocência.

 - Assim você me ofende.

 - Mentirosa!

 - Silêncio! – exclama o professor parado em frente a lousa, nos encarando estranhamente. Nem havia visto ele chegar.

 - Foi mal – disse.

 - Desculpe – Thabata dessa vez.

Ótimo, primeiro dia e um professor, tecnicamente, já me mandou calar a boca. Grande começo, Érica.

6 comentários:

  1. AH! Adorei, tava louca pra ler esse seu livro *-*
    E sei exatamente como a Erika se sente, sou a ovelha negra da família ¬¬
    Ta ótimo, parabéns lari, você escreve muito bem =D
    bjoos

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  2. Awn, mtooo obrigada *-----* SHUUHASUHSHSUA'
    Tu? Ovelha negra? Eu acho que tb sou um pouco, apesar de ser filha única, teve algumas épocas em que eu era bem revoltadinha... xDD UHSUHSAUHSAHUSAUH'
    Vlw de novo *--*

    bjks,
    LaariFerrari

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  3. Por que? Eu não me pareço com uma ovelha negra(hushus. tah eu sei qe naum) A verdade é que eu tenho um monte de primos santinhos, chatinhos e nerds, e como eu ja sou revoltada (e estranha, como diz a minha mãe), eu vivo sendo alvo das comparações ¬¬
    E, eu nunca diria qe vc ja foi revoltada, vc tem cara de ser tão, certinha hushsushs
    bjoos

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  4. UHSAUHUSHAUHSA' Primos certinhos?! Os meus são totalmente ao contrário, mas eu ainda consegui ser pior --' SAHUHUSAUHSA' Sim, acho que posso dizer que fui de tudo um pouco. No começo eu era patricinha, passou uns anos virei nerd, depois emo, depois gótica, rockeira e agora aqui estou, meio hippie não ligando pra nada SHUAUHSAHUSAUHSAASHU' Acho que tem horas que minha se pergunta pq a filha dela não é normal... HUSAHUSAUHSAUHSAHUAHSU'

    bjks,
    LaariFerrari

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  5. Ta super legal, assim que possível posta mais.

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  6. Hey! Obrigado por ler =D
    Sim, logo que puder irei postar mais, apesar de não poder dar alguma data ou algo parecido.

    bjks,
    LaariFerrari

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